Saturday, November 16, 2013

Dirceu, Genoino, Valério e mais sete condenados no mensalão se apresentam à PF



O ex-ministro José Dirceu, o deputado federal José Genoino (PT-SP), o publicitário Marcos Valério e outros sete condenados no processo do mensalão se apresentaram nesta sexta-feira à Polícia Federal (PF). Ao todo, 12 ordens de prisão foram expedidas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que também tiveram a prisão decretada, mas ainda não foram presos, devem se entregar neste sábado.

Os presos serão todos levados para a carceragem da Polícia Federal em Brasília. A previsão é de que eles cheguem no domingo à capital federal, para onde serão levados em num avião da PF. Eles terão de dividir a cela durante o período em que estiverem na carceragem da PF em Brasília, pois não há espaço para celas individuais.

Dirceu deixou sua casa em Vinhedo e chegou à Superintendência em São Paulo por volta das 20h30m. Antes, em documento intitulado "Carta Aberta ao Povo Brasileiro", divulgado minutos depois de ter seu mandado de prisão expedido pelo Supremo, o ex-ministro reiterou sua inocência, disse ser vítima de uma condenação injusta e que, assim como José Genoino, se considera "um preso político de uma democracia sob pressão das elites".

Já Genoino deixou sua casa no Butantã, em São Paulo, levantando o braço em sinal de força. Sua filha chorava muito. Em seguida, o deputado entrou no carro do advogado e seguiu rumo à Superintendência da PF. Ao longo do caminho, repetia o sinal de força para os fotógrafos que acompanharam o carro no trajeto. Na sede da PF, correligionários esperavam o deputado. O petista foi aplaudido por 35 amigos e militantes, que gritavam: “Viva Genoino” e “Preso político”. Genoino retribuiu:

— Viva o PT.

Mais cedo, Genoino distribuiu nota à imprensa em que diz que é inocente e que se considera um preso político.

Delúbio deve se entregar neste sábado
  Além de Genoino, Dirceu e Valério, nessa primeira leva de mandados de prisão estão a dona do Banco Rural Kátia Rabello; o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado; Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócios de Valério; Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério; o ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas e o ex-deputado Romeu Queiroz (PTB-MG).

Operador do esquema, Marcos Valério deixou sua fazenda em Caetanópolis e chegou por volta das 21h à Superintendência da PF em Belo Horizonte. Ao todo, sete condenados se apresentaram na capital mineira: Valério, a ex-diretora financeira da agência de publicidade de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, o ex-deputado federal do PTB Romeu Queiroz, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, ex-sócios de Valério, a ex-dona do Banco Rural Katia Rabello e o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado.

Em Brasília, o ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas, também se apresentou. Ele estava no banco do passageiro do carro que o levou à superintendência da PF.

No Rio, três policiais federais foram ao apartamento do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, mas não o encontraram. Pizzolato mora em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Em meio a toda movimentação sobre as prisões, Delúbio Soares disse que PT continuará sendo o partido mais querido da história do Brasil.

No fim da noite, quando dez dos doze condenados que tiveram a prisão decretada já haviam se apresentado à PF, a polícia de Brasília informou que um grupo tentou invadir o prédio do STF e foram levados para a delegacia.

'Meu cliente está sendo vítima de uma decisão arbitrária'

O advogado José Luis de Oliveira Lima, que defende Dirceu, criticou a prisão de seu cliente em regime fechado, já que o petista foi levado para o prédio da PF.

- Cada dia que meu cliente fica em regime fechado, que não é o que diz a lei, nós vamos nos insurgir contra isso - disse ele, para quem a prisão nessa condição é ilegal.

Lima garantiu que vai recorrer contra a prisão em regime fechado.

- A primeira ilegalidade já foi praticada, uma vez que o mandado do Joaquim Barbosa não determina o regime para o qual ele foi condenado, o que demonstra desde logo que meu cliente está sendo vítima de uma decisão arbitrária e ilegal. Vamos amanhã mesmo interpor uma medida registrando essa ilegalidade - completou Lima.

O Globo

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