Um dos casos policiais mais rumorosos dos últimos anos no Rio Grande do Sul pode ter seu desfecho nesta semana. O Ministério Público encaminhou à Justiça o pedido para que o inquérito que apura as circunstâncias da morte do assaltante Márcio Nadal Machado, o Cachorrão, 33 anos, seja arquivado. O criminoso teria sido morto pela aposentada Odete Hoffmann Prá, 88 anos, em junho de 2012. A solicitação de arquivamento será analisada pela juíza, Milena Fróes Dal Bó, titular da 1ª Vara Criminal. Odete admitiu em depoimento à Polícia Civil ter matado o bandido depois dele invadir o apartamento onde a idosa mora, na área central de Caxias.Entretanto, uma das teses da investigação é de que Odete não fosse a autora dos tiros contra Cachorrão. Uma perícia não encontrou resíduos comuns a quem faz disparos com armas nas mãos da idosa. Outra análise do Instituto-geral de Perícias apontou que um dos projetis encaminhado para exame não teria sido disparado pelo revólver apreendido pela Brigada Militar. PMs foram os primeiros agentes da Segurança Pública a entrar no apartamento de Odete após o crime. Quatro deles chegaram a fazer fotos ao lado da idosa, que já naquele momento admitia ser a autoria do homicídio.
A conclusão do inquérito pela polícia dependia de novas perícias. Conforme uma análise do IGP, o projétil retirado do corpo do assaltante não teria sido disparado pela arma que Odete alega ter usado para matar o criminoso. O delegado Joigler Paduano havia solicitado à Justiça a exumação do cadáver do assaltante para a retirada de um projétil que ainda estaria no corpo. A intenção era fazer uma nova perícia com o revólver calibre 32 que Odete afirma ter usado para matar o bandido. O pedido foi negado pelo Judiciário.
Conforme a promotora de Justiça Sílvia Regina Becker Pinto, titular da 4ª Promotoria Criminal de Caxias, mesmo que a perícia afirme que um dos projetis não foi disparado pelo revólver apreendido, os três estojos dos cartuchos apreendidos foram percutidos pela arma utilizada por Odete.
Sobre a ausência de resíduos de chumbo, bários e antimônio nas mãos de Odete – elementos que podem ser encontrados nas mãos de quem faz um disparo com uma arma- a promotora explica que o material pode ser removido facilmente de forma mecânica.Para Sílvia, mesmo que existisse a possibilidade de uma terceira pessoa estivesse no apartamento da idosa e fosse o autor dos disparos, isso não mudaria o posicionamento do Ministério Público. Isso porque essa pessoa também teria agido em legítima defesa, ou em legítima defesa de terceiro. Para o MP, a Polícia Civil também não apresentou no inquérito nenhum indício de quem poderia ser o autor do crime. Sílvia também solicitou à Justiça a extinção da punibilidade do crime de posse ilegal de arma de fogo.
clicRBS
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