Wednesday, August 21, 2013

MP solicita à Justiça arquivamento do inquérito sobre idosa que teria matado assaltante em Caxias do Sul



Um dos casos policiais mais rumorosos dos últimos anos no Rio Grande do Sul pode ter seu desfecho nesta semana. O Ministério Público encaminhou à Justiça o pedido para que o inquérito que apura as circunstâncias da morte do assaltante Márcio Nadal Machado, o Cachorrão, 33 anos, seja arquivado. O criminoso teria sido morto pela aposentada Odete Hoffmann Prá, 88 anos, em junho de 2012. A solicitação de arquivamento será analisada pela juíza, Milena Fróes Dal Bó, titular da 1ª Vara Criminal. Odete admitiu em depoimento à Polícia Civil ter matado o bandido depois dele invadir o apartamento onde a idosa mora, na área central de Caxias.
 
Entretanto, uma das teses da investigação é de que Odete não fosse a autora dos tiros contra Cachorrão. Uma perícia não encontrou resíduos comuns a quem faz disparos com armas nas mãos da idosa. Outra análise do Instituto-geral de Perícias apontou que um dos projetis encaminhado para exame não teria sido disparado pelo revólver apreendido pela Brigada Militar. PMs foram os primeiros agentes da Segurança Pública a entrar no apartamento de Odete após o crime. Quatro deles chegaram a fazer fotos ao lado da idosa, que já naquele momento admitia ser a autoria do homicídio.

A conclusão do inquérito pela polícia dependia de novas perícias. Conforme uma análise do IGP, o projétil retirado do corpo do assaltante não teria sido disparado pela arma que Odete alega ter usado para matar o criminoso. O delegado Joigler Paduano havia solicitado à Justiça a exumação do cadáver do assaltante para a retirada de um projétil que ainda estaria no corpo. A intenção era fazer uma nova perícia com o revólver calibre 32 que Odete afirma ter usado para matar o bandido. O pedido foi negado pelo Judiciário.

Conforme a promotora de Justiça Sílvia Regina Becker Pinto, titular da 4ª Promotoria Criminal de Caxias, mesmo que a perícia afirme que um dos projetis não foi disparado pelo revólver apreendido, os três estojos dos cartuchos apreendidos foram percutidos pela arma utilizada por Odete.

Sobre a ausência de resíduos de chumbo, bários e antimônio nas mãos de Odete – elementos que podem ser encontrados nas mãos de quem faz um disparo com uma arma- a promotora explica que o material pode ser removido facilmente de forma mecânica.

Para Sílvia, mesmo que existisse a possibilidade de uma terceira pessoa estivesse no apartamento da idosa e fosse o autor dos disparos, isso não mudaria o posicionamento do Ministério Público. Isso porque essa pessoa também teria agido em legítima defesa, ou em legítima defesa de terceiro. Para o MP, a Polícia Civil também não apresentou no inquérito nenhum indício de quem poderia ser o autor do crime.  Sílvia também solicitou à Justiça a extinção da punibilidade do crime de posse ilegal de arma de fogo.

clicRBS

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