Bradley Manning planeja viver como uma mulher com o nome Chelsea e quer começar a fazer terapia de hormônio o mais cedo possível, disse o soldado americano nesta quinta-feira (22), um dia depois de ter sido sentenciado a 35 anos de prisão pelo maior vazamento de documentos confidenciais na história dos EUA.
Manning anunciou a decisão em comunicado por escrito fornecido a NBC, pedindo aos seus apoiadores para se referirem a ele por seu novo nome e pelo pronome feminino. O comunicado estava com a assinatura: Chelsea E. Manning.
"Enquanto eu faço essa transição para a próxima fase da minha vida, quero que todos conheçam quem eu sou de verdade. Eu sou Chelsea Manning. Eu sou uma mulher. Devido ao jeito que eu me sinto, e que eu me sinto desde a infância, quero começar a terapia hormonal o mais cedo possível."
O advogado de defesa de Manning David Coombs disse a NBC que espera que as autoridades na prisão militar atendam o pedido de Manning para a terapia hormonal. Se isso não acontecer, "vou fazer tudo o que estiver em meu poder para garantir que eles sejam obrigados a atendê-lo".
O transtorno de identidade de gênero de Manning - a sensação de ser uma mulher presa a um corpo de homem - foi crucial para a defesa. Advogados apresentaram evidências da luta de Manning contra o transtorno, incluindo uma foto do soldado com uma peruca loira e batom enviado a um psicólogo.
Enquanto isso, a luta pela libertação de Manning tomou um novo rumo, com Coombs e seus apoiadores dizendo que pedirão ao Exército por leniência, e à Casa Branca por um perdão, o que é pouco provável que aconteça.
Até mesmo os defensores de Manning estavam confusos. Durante a audiência na quarta-feira, eles vestiam camisetas com a palavra: "Verdade". Horas depois, eles trocaram por outras nas quais liam-se: "Presidente Obama: Perdoe Bradley Manning".
Manning recebeu a punição mais dura na história dos EUA por vazar informação para a imprensa. Apresentando bom comportamento e por ter ficado mais de três anos presos, o soldado pode deixar a prisão em no mínimo sete anos, segundo Coombs.Manning tem sido chamado tanto de delator quanto traidor por entregar mais de 700 mil documentos militares e diplomáticos confidenciais, além de filmagens de campos de batalha, para o website WikiLeaks .
Coombs disse que vai entrar com um pedido na semana que vem para que o presidente Barack Obama perdoe Manning ou comute sua sentença. Ele leu uma carta que Manning enviará ao presidente na qual diz: "Eu me arrependo se minhas ações feriram alguém ou prejudicaram os EUA. Nunca foi minha intenção prejudicar ninguém."
Manning, o analista de inteligência do Exército, copiou digitalmente e divulgou relatórios sobre batalhas no Iraque e no Afeganistão enquanto trabalhava em 2010 no Iraque. O soldado também vazou um vídeo de um ataque do helicóptero Apache em 2007 em Bagdá que matou por engano ao menos nove pessoas, incluindo um fotógrafo da Reuters.
O governo acusou Manning de traição. O soldado foi condenado no mês passado pelo cometimento de 20 ofensas, incluindo seis violações da Lei de Espionagem, mas foi inocentado da acusação mais séria, auxiliar o inimigo, que pode levar à sentença de prisão perpétua.
iG Último Segundo

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