Tuesday, September 3, 2013

Em busca dos segredos do 'homem elefante'



Joseph Merrick, que foi alvo da curiosidade popular na Inglaterra por causa de doença, ainda intriga cientistas 123 anos depois de sua morte.

O homem elefante, cujo nome verdadeiro era Joseph Merrick, foi objeto da curiosidade de muita gente, durante toda a sua vida na Inglaterra, inclusive de diversos médicos da era vitoriana, que fizeram vários estudos sobre sua anomalia.

A história de Merrick foi consagrada nos anos 1980 pelo diretor David Lynch, que levou às grandes telas o drama do britânico que tinha 90% do corpo deformado pelo que se acreditava ser uma neurofibromatose múltipla - doença degenerativa óssea que hoje em dia tem tratamento.


Mas hoje, 123 anos depois da morte de Merrick, cientistas acreditam que seus ossos contém segredos sobre sua anomalia que podem beneficiar a ciência médica.

Merrick começou a desenvolver a doença ainda quando criança. Apesar de ter sido bastante examinado na época por vários médicos, a causa da má formação da sua cabeça, da curvatura acentuada de sua espinha dorsal, da pele cheia de saliências, do braço direito mais crescido que o esquerdo, nunca foi totalmente esclarecida pela medicina.

Dilema do esqueleto
Ironicamente, a preservação do esqueleto de Merrick é o que tem causado um dos maiores problemas para que se descubram os segredos do 'homem elefante'.

'O esqueleto, que tem bem mais do que 100 anos agora, é na verdade muito limpo', conta o professor Richard Trembath, vice-diretor do departamento de saúde da Queen Mary University of London, que também é o responsável pela guarda do material.

'Isso representa um problema significativo. Em várias ocasiões ao longo dos anos, o esqueleto foi embranquecido com cloro no processo de preservação. Cloro não é um bom componente químico para se expor o DNA. Isso gerou um problema extra para conseguirmos extrair quantidades suficientes de DNA com o objetivo de fazermos o sequenciamento (genético)', explica Trembath.

Mas a esperança é a de que o DNA que puder ser extraído venha a determinar de uma vez por todas a exata condição genética do 'homem elefante'.

Já existem diversas teorias. Por vários anos, acreditava-se que ele tinha neurofibromatose tipo 1, mas recentemente médicos começaram a acreditar que ele sofria de uma condição conhecida como síndrome de Proteus ou, possivelmente, uma combinação das duas.

Um time de geneticistas da Queen Mary University of London, do King's College e do Museu de História Natural britânico está trabalhando atualmente em técnicas para extrair o DNA de outros ossos de idade similar aos de Merrick, que também foram embranquecidos com cloro. Eles fazem os primeiros estudos em ossos similares (e não nos originais) para evitar ainda mais danos ao esqueleto do homem elefante.

Cloro é utilizado, às vezes, por laboratórios para remover traços de DNA. Por isso essa é a pior coisa que pode ser feita para os ossos, quando o objetivo é extrair informação genética.

Para efeito de comparação, a condição genética dos ossos do rei Ricardo III, encontrado em março deste ano, enterrado por centenas de anos debaixo de um estacionamento em Leicester, no norte da Inglaterra, é bem melhor do que os ossos de Merrick pelo fato de nunca terem sido alvejados com cloro.

As graves deformidades do homem elefante são facilmente notadas no esqueleto, mas restritas a apenas determinadas áreas do corpo. Seu crânio tem grandes saliências de ossos crescidos na fronte e no lado direito.

O braço direito e bem mais longo do que o esquerdo, que parece ser do tamanho normal. Seu fêmur direito (parte de cima da perna) é bem mais longo e grosso do que o esquerdo. Sua coluna também é extremamente curvada, deixando o corpo todo torto.

'Quando Merrick estava sendo formado na barriga de sua mãe, é bem provável que uma alteração genética tenha acontecido, não antes do espermatozoide e o óvulo terem se juntado - mas provavelmente num estágio em que existia um certo número de células, onde apenas algumas contribuíram para o desenvolvimento do problema', afirma Trembath.
Globo.com/Mundo

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