Wednesday, September 25, 2013

Modelo joinvilense é presa em Brasília acusada de participar de quadrilha



Luciane Lauzimar Hoepers, 33 anos, aliciava prefeitos para desvio de fundos de pensão.

A modelo joinvillense Luciane Lauzimar Hoepers, de 33 anos, foi presa na semana passada em Brasília acusada de participar de uma quadrilha que fraudava fundos de pensão. Ela foi solta às 00h desta terça-feira, depois de prestar depoimento, e vai responder em liberdade. De acordo com a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, Luciane era "pastinha" da quadrilha, ou seja, responsável por se aproximar de prefeitos e gestores de fundos para captar verbas para empresas de fachada oferecendo benefícios.


Luciane confessou que viajou a mando da organização de Norte ao Sul do país abordando prefeitos para participarem do esquema, mas não soube dizer por quantas cidades passou. De acordo com o Setor de Comunicação Social da Superintedência, um dos prefeitos que conversou com Luciane aderiu à organização criminosa. O Setor, no entanto, não soube informar quantos gestores receberam propostas da modelo e de qual cidade é o prefeito que pode ter recebido propina para investir os fundos de pensão do município. Também não foi revelado quanto ela recebia pelo serviço.
 

A modelo prestou depoimento sem ter advogado constituído e responde por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A tática dos criminosos era usar mulheres bonitas para aliciar prefeitos. Luciane participou de diversos ensaios sensuais e foi eleita Bela do Avaí em 2012. Além dela, outras quatro modelos foram presas temporariamente.


Como funcionava o esquema


A Polícia Federal deflagrou a Operação Miquéias, com o intuito de prender os envolvidos em duas organizações criminosas que agiam no Distrito Federal e em mais nove estados do país. Os envolvidos são acusados de desviar mais de R$ 50 milhões de fundos de pensão de servidores de prefeituras e governos estaduais para empresas de fachada, criadas por laranjas. Desde quinta-feira, 20 pessoas foram presas.


O esquema iniciava com a abordagem de prefeitos e gestores de fundos de pensão por representantes de uma empresa de consultoria financeira. O intuito era que os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) dos municípios — formados por constribuições de servidores municipais e estaduais — fossem aplicados nos fundos indicados pela empresa coordenada pela quadrilha. Os prefeitos e gestores recebiam benefícios, como parte da verba investida nos fundos.
 

Nomes de laranjas eram usados para abrir empresas. Eles abriam contas em diversos bancos e recebiam os recursos dos RPPS. Os valores eram sacados em espécie. Segundo a Polícia Federal, foram sacados mais de R$ 300 milhões em um ano e meio. Quando os órgãos de fiscalização ficavam atentos às transações, as empresas eram descartadas e novas surgiam no mercado. A quadrilha formou mais de 30 empresa e contou com 35 laranjas. Os prejuízos nos fundos de pensão chegaram a R$ 50 milhões.


Os estados que tiveram ações da Polícia Federal foram Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Minas Gerais e São Paulo. Dentre os veículos apreendidos, 10 são avaliados em mais de R$ 500 mil cada.


Diário Catarinense

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